2 - As origens das pinturas da Tradição Nordeste: difusão e diáspora
The origins of the Nordeste Tradition of rock paintings: diffusion and diaspora
Les origines de la Tradition Nordeste d’art rupestre: diffusion et diaspora
Los orígenes de las pinturas de Tradición Nordeste: difusión y dispersión
Coordenado por/Co-ordinator: Gabriela Martín & Irma Asón Vidal
PAPERS
___________________________________________________________________________________________________________
As origens das pinturas da Tradição Nordeste: difusão e diáspora.
Apresentação
Gabriela Martin & Irma Asón Vidal, Brasil & Espanha
A partir de um possível núcleo originário situado no SE do Piauí se fixou a Tradição Nordeste como um horizonte cultural de ampla dispersão. Com o avanço das pesquisas arqueológicas em outras regiões do nordeste brasileiro se formularam hipóteses sobre a dispersão desse horizonte gráfico motivada por cisões demográficas ou rivalidades tribais. Grupos humanos originários do SE do Piauí teriam emigrado através do vale do São Francisco e se instalado em áreas da Bahia, Pernambuco e no Rio Grande do Norte. A amplitude territorial e cronológica dessa dispersão se manifesta em mudanças e na inclusão de elementos novos, embora mantendo o núcleo central gráfico da Tradição Nordeste.
___________________________________________________________________________________________________________
Gravuras Rupestres do Sul e do Centro do Brasil
Pedro Ignacio Schmitz, Brasil
No Pantanal do Mato Grosso do Sul, no sopé do planalto residual do Urucum, foram estudadas grandes gravuras em extensos lajedos de limonita, atribuídas a populações que viviam da pesca, da caça e da coleta, na proximidade de grandes lagoas e do Rio Paraguai. E na borda do Planalto Meridional foram pesquisadas gravuras dispostas em paredes de abrigos rasos em arenito Botucatu, atribuídas a populações caçadoras da tradição lítica Umbu. A proposta da fala é mostrar as gravuras, seu contexto local, atribuição cronológica e participação em horizontes mais amplos de gravuras.
___________________________________________________________________________________________________________
Tradição Nordeste no Estado da Bahia, Brasil
Carlos Etchevarne, Brasil
Identificada em grande parte do território nordestino, a Tradição Nordeste tem expressão particularmente forte na Bahia, em algumas localidades da Chapada Diamantina (centro desse Estado). Ainda que inexistam estudos particularizados sobre esta Tradição os programas de identificação e registro levados a cabo pela equipe da Universidade Federal da Bahia já permitem reconhecer um padrão de incidência de um dos estilos que melhor a definem, o da Serra da Capivara. Esses grafismos ocorrem em diferentes regiões onde emergem afloramentos de arenitos silicificados, também denominados de quartzitos. A explicação deste fato, não deve ser encontrada unicamente nas características que oferece este tipo de rocha como suporte de pinturas, senão também na própria arquitetura dos afloramentos, que podem conformar um dos aspectos culturais diagnósticos dos grupos humanos produtores de pinturas Serra da Capivara, em território baiano.
___________________________________________________________________________________________________________
Bahia and the Origins of Nordeste Rock Art
Reinaldo Morales Jr., Estados Unidos da América
The Bahian highlands host one of the most significant concentrations of rock art in Brazil. The Nordeste Tradition is represented, and for decades researchers have speculated that these highlands served as a key hub in the broad diffusion of Nordeste Tradition painting between Piauí and Rio Grande do Norte. This paper introduces examples of rock art that, when examined in the context of several other regional concentrations of Nordeste painting, imply a greater role for the Bahian highlands in the development of a "nucleus" for the painting tradition.
___________________________________________________________________________________________________________
A dispersão da Tradição Nordeste no Cariri Paraibano e na região Agreste do Rio Grande do Norte
Valdeci dos Santos, Brasil
Foi identificado no Cariri paraibano e na região Agreste do Estado do Rio Grande do Norte, um total de quatorze sítios arqueológicos com registros rupestres pintados, com características temáticas e cenográficas vinculadas à tradição Nordeste. No presente trabalho estudamos a distribuição espacial desses sítios levando em consideração os aspectos geomorfológicos, visando estabelecer possíveis relações dos autores das pinturas com a área arqueológica do Seridó. Os registros desses sítios foram analisados também, observando-se à permanência/recorrência das características temáticas/cenográficas da tradição Nordeste, as sobreposições existentes e sua relação espacial com os demais registros. Os resultados apontam para a presença de grupos pré-históricos que detinham a técnica da pintura da tradição Nordeste no Cariri paraibano e na região Agreste e a existência de uma possível rota de dispersão entre o Cariri paraibano, a região do Seridó e o Agreste potiguar levando-se em conta variáveis geoambientais como altimetria, geologia e fluxo hidrográfico.
___________________________________________________________________________________________________________
A presença da Tradição Nordeste na região do Cariri Ocidental, Paraíba
Carlos Xavier de Azevedo Netto, Brasil
A dispersão da Tradição Nordeste vem sendo objeto de estudos em diferentes regiões do país, principalmente no Centro-Oeste. A grande maioria dos sítios arqueológicos encontrados na região do Cariri Ocidental possui contextos relacionados aos grafismos rupestres, quer de gravações quer de pinturas. Essa região está inserida no semi-árido, com as devidas características ambientais, que podem se refletir nas formas de ocupação humana. Em que pese o conhecimento esparso que se possui sobre a arqueologia do Estado da Paraíba, como um todo, e desta região em particular, a ocorrência dos grafismos pintados possuem características que os relacionam ou a Tradição Nordeste ou a Agreste. Existe o compartilhamento de exemplares de grafismos relacionado a estas duas tradições em um mesmo sítio, e em alguns deles se torna muito difícil relacionar exclusivamente a uma dessas unidades estilísticas. Assim, o presente trabalho tem como hipótese a possibilidade de que essa região se configure em uma fronteira estilísticas dessas tradições, o que possibilitaria um compartilhamento de suas estéticas.
___________________________________________________________________________________________________________
Protocolo de Registro no Estudo das Gravuras Rupestres na Área Arqueológica do Seridó – Rio Grande do Norte, Brasil
Taís Vargas Lima, Brasil
Este trabalho é uma extensão das atividades pesquisas que vem sendo desenvolvidas desde a década de 80, quando foram iniciadas por Gabriela Martin as primeiras prospecções na área arqueológica do Seridó e o estabelecimento da Fundação Seridó em Carnaúba dos Dantas. Procura-se nesta comunicação apresentar através de uma abordagem metodológica a forma de se fazer uma “leitura” dos grafismos rupestres, levando-se em consideração de um lado a conservação do sítio rupestre e de outro uma observação precisa em termos de técnica de registro. Foram levantados durante uma pesquisa de campo em 2008, doze sítios rupestres, sendo que alguns sítios já haviam sido documentados por outros pesquisadores em relatórios técnicos além dos identificados por José de Azevedo Dantas nos começos do século XX. A partir do que foi levantado no conjunto da proposta metodológica o conceito ‘protocolo de registro’ é mostrado através de um quadro comparativo, onde são observados dois níveis de análise: as semelhanças e diferenças e a recorrência ou não de determinados tipos de gravuras rupestres entre os sítios pesquisados.
|