9 - Documentação, Levantamento e Promoção de Arte Rupestre

Documenting, Recording and Promoting Rock-art
Enregistrement, analyse et promotion de l’art rupestre
Documentación, Registro y Promoción del Arte Rupestre

Coordenado por/Co-ordinator: Mila Simões de Abreu & Angelo Fossati

PAPERS

___________________________________________________________________________________________________________

Vinte anos de levantamentos e documentação em Valcamónica (Lombardia, Itália)
Angelo Fossati & Mila Simões de Abreu, Itália, Portugal/Reino Unido

Durante os últimos 20 anos a equipa da Cooperativa Archeologica “Le Orme dell’Uomo”, com sede em Cerveno, em Valcamónica (Itália) teve ocasião de, com grande êxito, desenvolver e aplicar uma metodologia de investigação dedicada à arte rupestre que inclui todas as fases da pesquisa da prospecção à publicação. A qualidade, facilidade e o baixo custo do processo fez com que fosse difundida e aplicada em diversos países. Nesta comunicação apresentamos não só, uma síntese do processo e modelo standard de levantamento de gravuras, que vai da escolha de material de campo até ao trabalho no laboratório, incluindo a redução e a preparação para publicação, mas também as bases da visão da chamada “Arqueologia Rupestre”. Apresentaremos exemplos de várias partes do mundo - de Portugal aos Estados Unidos  - vão dar uma ideia dos resultados conseguidos.

___________________________________________________________________________________________________________

Arqueologia Subaquática na Amazônia – Documentação e Análise das gravuras rupestres do Sítio Mussurá, Rio Trombetas, Pará, Brasil
Edithe Pereira & Carlos Augusto Palheta Barbosa, Brasil

Os sítios arqueológicos com gravuras rupestres ocorrem em grande quantidade por toda a região amazônica. Esse tipo de sítio está localizado quase sempre junto a cursos d’água e por esse motivo as gravuras rupestres costumam ficar temporariamente submersas no período das cheias, aflorando apenas durante o estio, quando podem ser documentadas e pesquisadas. O sítio Mussurá constitui uma exceção a essa regra visto que, mesmo no verão, raramente suas gravuras ficam expostas a luz do dia. Frente a essa situação, a documentação desse sítio foi feita debaixo d’água por arqueólogos mergulhadores. Trata-se do primeiro trabalho de documentação submersa de um sítio com arte rupestre realizado no mundo.

___________________________________________________________________________________________________________

Para uma revisão do estudo da arte rupestre do Vale do Tejo. O uso dos moldes de latex como instrumento de estudo
Mila Simões de Abreu, Luiz Oosterbeek, Sara Garcês Fernando Coimbra & Guillermo Muñoz Castilblanco, Ana Isabel Rodrigues, Portugal/Reino Unido, Portugal, Colômbia/Portugal, Portugal

Foi nos finais do ano de 1971 que um grupo de estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa identificaram no leito e nas margens do rio Tejo (Distrito de Castelo Branco, centro de Portugal) aquele que ainda é ainda hoje o mais importante complexo da arte rupestre “ao ar livre” em Portugal. Infelizmente a construção da barragem do Fratel acaba, poucos anos depois, por submergir a quase totalidade dos sítios então descobertos, ficando hoje ao ar livre apenas trechos marginais e áreas menores como a vale do Ocreza. Graças ao apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian foi no entanto então possível fazer moldes em látex de muitas das superfícies decoradas. São esses mais de 1700 moldes, conservados em boa condições, que permaneceram praticamente não estudados, tendo sido apenas publicadas meia dúzia de rochas e painéis. O Projecto RUPTEJO veio agora permitir que esses preciosos documentos nos chegassem agora as nossas mãos. Nesta comunicação abordaremos os problemas afrontados e as escolhas que tiveram de ser tomadas para que tão importante “Corpus” possa ser estudado e publicado.

___________________________________________________________________________________________________________

O Banco-de-dados Internacional de Arte Rupestre (BIAR) e a Biblioteca Digital de Mação (BDM)
Mila Simões de Abreu, Luiz Oosterbeek, Fernanda Torquato, Jedson Cerezer, Isabel Afonso
Portugal/Reino Unido, Portugal, Brasil

Em 2 de Abril de 2001 a IFRAO, através do seu membro APAAR (a Associação Portuguesa de Arte e Arqueologia Rupestre), assinou com o Museu de Arte Pré-histórica de Mação (Santarém, Portugal) um protocolo que, entre outros pontos, permitia a criação de uma biblioteca especializada em arte rupestre de carácter internacional em Mação, Ribatejo (Portugal). Em directa consequência dessa acção foram doados à Biblioteca do Museu muitas das publicações da Associação e iniciou-se um programa de aquisição e permutas de publicações dedicadas a esse campo da investigação arqueológica. E no seguimento disso foi elaborado um sistema de referência vai permitir,  através de uma ficha e de palavras-chaves,  saber o que verdadeiramente se encontra dentro dos textos que a biblioteca já possui. O BIAR ou Banco-de-dados Internacional de Arte Rupestre, vai então  facilitar enormemente o trabalho de pesquisa ao investigador. Por outro lado, com a compilação da primeira edição da “Bibliografia da Arte Rupestre Portuguesa”, foi possível começar a recolha de cópias de todos as publicações referenciadas num total de cerca 900 textos, entre volumes e artigos. Tal recolha levou à criação da IBDM – IFRAO-Biblioteca Digital de Mação– um arquivo de documentos em formato PDF e que vão passar a estar disponíveis para consulta no local.  É por fim de salientar, que a Biblioteca do Museu de Mação, conta já com a Biblioteca “Luiz Oosterbeek” e parte da biblioteca “Mila Simões de Abreu/Ludwig Jaffe”, ambas cacessível para consulta de  todos os leitores.

______________________________________________________________________________________________________________

Levantamento de gravuras na área do Parque Nacional Serra da Capivara, Pi – noticia preliminar
Mila Simões de Abreu, Cris Buco, Ludwig Jaffe, Angelo Fossati & George Nash, Portugal/Reino Unido, Brasil/Portugal, Reino Unido, Itália, Reino Unido

Gravuras rupestre são conhecidas na área do Parque Nacional da Serra da Capivara, PI (Brasil) desde os pioneiros trabalhos de Niède Guidon nos anos 70. De recente, porém, foram identificados números painéis onde figuras gravadas aparecem, não só, nas proximidades das paredes pintadas, mas também, fazendo parte da própria estratigrafia dos painéis, ou seja, gravuras parecem sobrepor-se a pinturas e por elas são igualmente sobrepostas.
Por outro lado, conhecem-se gravuras em locais mais afastados do Parque Nacional Serra da Capivara, como por exemplo, no Riacho Santana e essas merecem igualmente atenção. Tudo isto leva a que se tenha iniciado um projecto internacional que tem como objectivo o levantamento de todas as gravuras conhecida na zona do Parque e dos arredores, assim como, a constituição de uma equipa especializada. Por tal motivo iniciou-se a realização de cursos de especialização em técnicas de levantamento de gravuras que vão levar a criação de uma Escola de Campo - para a qual esperamos atrair investigadores de outras zonas do Brasil.

___________________________________________________________________________________________________________

Arte rupestre do concelho de Mação – estudo e promoção
Luiz Oosterbeek, Mila Simões de Abreu, Hipólito Collado, Anabela Borralheiro Pereira & Fernando Coimbra. Portugal, Portugal/Reino Unido, Espanha, Portugal

Conhecida desde os meados do século passado, a arte rupestre na área do concelho de Mação, tem hoje, graças ao trabalho da equipa do Museu de Arte Pré-histórica de Mação e do Instituto Terra e Memória, uma dimensão quer quantitativa quer qualitativa importante incluindo gravuras e pinturas, cronologicamente pertencente a um arco de tempos que vai do Paleolítico Superior provavelmente até à Idade Média. Nesta comunicação apresentamos, em síntese, em primeiro lugar os trabalhos desenvolvidos na zona de Cobragrança (Caratão), uma zona muito danificada pelos fogos de 2003, com gravuras de círculos (escudos?) da Idade do Bronze e em seguida, a pesquisa levada a cabo na área do Vale do Ocreza que vai da barragem de Pracana à zona da foz do rio, já nas proximidade doTejo, nomeadamente no Vale do Souto e no Vale da Rovinhosa, onde foram identificadas mais de 30 gravuras entre as quais salientamos um cavalo acéfalo, em estilo paleolítico, diversas figuras de cervídeos no tipo “Tejo”, com a linha central no dorso e o pescoço preenchido, assim como antropomorfos esquemáticos e figuras abstractas tais como, círculos e círculos concêntricos, espirais e linhas, pertencente a um longo período que vai do horizonte do Megalitismo ao Mundo da Idade do Bronze.

___________________________________________________________________________________________________________

Documentação dos registros gráficos do acervo do NAP-UFPI
Jacionira Coelho Silva, Sônia Maria Campelo Magalhães, Raimundo de Andrade Neto & Igor Linhares de Araújo, Brasil

A documentação que constitui o acervo do Núcleo de Antropologia da Universidade Federal do Piauí é de fato a memória de seus 30 anos de existência, desde a sua fundação em 1979 pela Dra. Niède Guidon. Documentos textuais e não textuais contam essa trajetória que inclui levantamentos e cadastramentos de sítios, trabalhos de salvamento arqueológico, estudos de sítio que receberão estruturas para visitantes, ações de conservação dos grafismos rupestres e formação de recursos humanos nessa área do conhecimento.

___________________________________________________________________________________________________________

Sentido Social de Bens Culturais Como Técnica de Preservação
Dalton Sala & Tiago Sala, Brasil

A constatação de que a falta de sentido social de um bem cultural é a principal razão de sua desagregação requer a construção de um modelo de comunicação digital capaz de levar rapidamente a improtância da preservação e estudo de um bem cultural a grandes parcelas da população global.

 
Fumdham © 2008